O estatuto de cuidador informal tem ganho muito relevância nos últimos tempos, valorizando-se a situação como emergente no sentido de apoiar mais quem cuida. Este é um trabalho que exige muito das pessoas, tanto a nível físico, como psicológico, compreendendo-se o nível de cansaço que os cuidadores atingem diariamente. Além disso, torna-se esgotante o facto do seu papel muitas vezes não ser reconhecido por familiares, o que os faz sentir desvalorizados.
A nível pessoal, a existência de cuidadores informais torna-se mais satisfatório para os dependentes, por ser sempre a mesma pessoa que está lá, a ajudar nas tarefas diárias, por ser alguém da sua confiança e, principalmente, por mantê-los em casa, no seu conforto e comodidade. Contudo, a questão permanece: quem está a cuidar do Cuidador Informal?
É crucial repensar no bem-estar emocional dos cuidadores, uma vez que estão sobrecarregados, causando em muitos o burnout (exaustão), que se reflete através de vários sintomas, nomeadamente o cansaço físico e psicológico, o que impossibilita a prestação de cuidados adequados aos seus dependentes, tentando fazer sempre o seu melhor.
Importa ressalvar que o cuidador informal possui uma grande responsabilidade, pelo que a sobrecarga a que está muitas vezes sujeito, pode também levar à desmotivação para cuidar, falta de paciência e afetos mais negativos com a pessoa cuidada, além de que, a nível pessoal, existem vários fatores que podem piorar a sua situação, tais como problemas físicos/emocionais, um maior isolamento social, consequentes da falta de atividades de lazer e o aumento de sentimentos negativos relativos a si próprios (baixa autoestima e confiança), que podem comprometer o seu papel enquanto cuidador.
De tal forma, para atribuir os melhores cuidados, deve-se garantir que o próprio cuidador está bem, física e psicologicamente. Alguns sintomas podem ser indicadores de exaustão no cuidador, tais como: sensação de perda de controlo da própria vida, ansiedade, sensação de incapacidade para cuidar do outro, falta de tempo para si, que está a fazer demais sem apoio familiar, vergonha perante a pessoa dependente e frustração quando está com a pessoa dependente. Perante os mesmos, é necessário considerar o pedido de ajuda, para conseguir lidar com as suas emoções e a situação em que se encontra.
Existem estratégias que podem facilitar o aumento do bem-estar do cuidador, que permitem aumentar a autoestima do mesmo, a sua autoeficácia e o prazer no trabalho que possuem com a pessoa cuidada. Para tal, é necessário que toda a equipa multidisciplinar que segue a pessoa cuidada esteja pronta para tirar dúvidas e encorajar o cuidador, fornecendo-lhe as ferramentas necessárias para cuidar do outro.
Muitas vezes, o cuidador está muito limitado no que respeita ao tempo pessoal e por isso deve ser considerado momentos de partilha de experiências com grupos de apoio, realização de atividades de lazer e manter as relações sociais com o intuito de evitar a solidão e a reduzir os níveis de stress a que está submetido.
O essencial é que cada um reconheça os seus próprios limites, sendo que pedir ajuda não é irracional, pelo contrário, permite lidar melhor com a sua vida diária, adquirindo competências pessoais e emocionais que lhe possibilita a prestação de cuidados devida, sem afetar o seu bem-estar emocional.
Psicóloga Tanya Teixeira



